Empoderamento não é apoderamento de conceitos no Instagram

Empoderamento não tem nada a ver com essas narrativas de influenciadores digitais, geralmente disfarçadas de empreendedorismo a partir de famílias já relativamente estruturadas.

Amanda Thalita

Não distorçamos a discussão sobre empoderamento que estabeleço aqui. Isso não é um ataque individualista. É triste ter que deixar isso claro, mas a internet perdeu a noção de análise social.

Minha crítica é ao apoderamento de reflexões do movimento feminista para criar uma narrativa que diz que as necessidades femininas podem ser completamente supridas pela realidade do capitalismo globalizado e, aparentemente, dinâmico do século XXI.

As lojinhas de roupa no Instagram estão bombando. Todas sonham em ser a próxima Nati Vozza e faturar 170 milhões de reais ao ano. E mais uma vez o capitalismo cultural consolida a inversão de valores inconciliáveis com a sociedade vigente.

Não preciso falar sobre falta de garantias básicas, estabilidade ou salário mínimo disfarçados de empreendedorismo.

Já discutimos isso em todas as greves de motoristas e entregadores de aplicativo que aconteceram no Brasil. Muitas meninas que empreendem pelo Instagram vêm de famílias relativamente estruturadas.

Ainda temos uma longa caminhada pela frente e mudanças estruturais e profundas serão necessárias. Há de passarmos por essa tentativa de inversão de valores mais críticas e exigentes.

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