Quero escrever e ver beleza nas sutilezas diárias

Quem sabe eu aprenda a escrever pessoas, personas e personagens. Escrever e ser lida. Escrever para que as personagens ganhem vida em uma história que eu tenha cacife para contar.

Amanda Thalita

Li um texto verdadeiramente lindo. Não sei descrever o tema, algo sensorial. Uma sequência de cheiros, gostos e texturas. O feijão cozinhando sem o tempo do demolho, o pão de queijo murcho três dias depois da feitura… lembrou-me Clarice na simplicidade do tema e na beleza do trato.

Eu digo que nunca quis escrever literatura, mas nas últimas semanas me pergunto se não estou mentindo para mim. Talvez seja um instinto de autopreservação. A real é que nunca achei que seria capaz de escrever ficção.

O problema não são as palavras. Eu manejo as palavras escritas com muito mais maestria do que as palavras faladas. Sempre foi assim. O problema está na percepção do mundo. Eu vivo tão rápido que não há tempo de observar a vida para escrever. Problema maior é não saber como puxar o freio.

Ou talvez a questão seja mais biológica, mais definida. Talvez eu não tenha os mesmos olhos dos que nasceram para escrever. Só que os que nasceram para escrever dizem que não nasceram para isso, que a escrita é desenvolvida no treino.

Escrevi um texto ficcional que considerei mediano, mas meu professor de literatura contempôranea adorou. Leu para todos da sala e eu só conseguia pensar em como o enganei direitinho para não perceber a mediocridade do texto. Nessas horas penso que o motivo para não escrever não é a falta de freio na vida, mas o excesso de freio do meu consciente sobre mim.

Mas que problema burro, basta escrever. Como faço agora. Sempre que sento e escrevo uma frase, outras vão chegando devagar. Só que acho que volto para os mesmos temas sempre, será que é falta de bagagem? Essas questões são assustadoras.

Tentarei escrever sobre os que amo, sobre o que os faz únicos, suas características fora da curva. Assim quem sabe eu aprenda a escrever pessoas e personas e personagens. E esses personagens ganhem vida um dia, em uma história que eu tenha cacife para contar.

1 Comentário

  1. Vitor Gomes

    Adorei o texto, sou um pouco mais novo q vc, mas tinha uma forma diferente de encarar a criação de ficção, sempre achei q poderia um dia escrever alguma coisa (arrogância?Sim kkkk) mas q isso levaria muito tempo então n era pra me preocupar com isso agora, devia tentar buscar mais bagagem, no entanto, percebi q nos últimos meses (graças a uma visão de mundo diferente) q n se constrói um Escritor em um dia, se faz isso em anos, décadas, com trabalho constante e muita dedicação. Até hoje n escrevi nada q gostasse muito, sempre acho mediado no máximo, mas isso me anima muito, pq significa q ainda tenho muito q evoluir e aprender. Boa sorte da sua jornada tbm ❤

Deixe o seu comentário