Liberdade de expressão ou incitação de violência e mortes

Repetidas declarações de Donald Trump incitando a invasão de fanáticos ao Capitólio ultrapassou os limites da liberdade de expressão e tornou-se um crime com incitação à violência e mortes.

Liberdade de expressão ou incitação de violência e mortes

Bolsonaro e Trump: uso de redes sociais ultrapassam limites da "liberdade de expressão" e merecem bloqueio de contas

Paulo Augusto Neto

O banimento em janeiro do ainda presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, das redes sociais após ele ter incitado a invasão ao Capitólio levantou um debate acerca de liberdade de expressão. Não foram poucas vozes de jornalistas antifascistas, inclusive, que se voltaram contra a decisão de Mark Zuckerberg, dono do Facebook e do Instagram, por condenar o que seria um ataque ao direito de qualquer pessoa de omitir sua opinião.

Antes de mais nada, sou totalmente a favor da decisão tomada de banimento de Trump das redes.

Entendam: não estamos diante de uma simples situação de concordar ou discordar da opinião de alguém. Por mais que eu discorde, é óbvio que todo neoliberal, por exemplo, tem direito de expor suas opiniões em qualquer lugar. Qualquer terraplanista que jura que a terra é plana e tem teorias para isso, tem o direito de ser maluco e expor suas maluquices.

Porém, o que estamos vendo ultrapassa os limites da maluquice. Tem gente morrendo por conta da irresponsabilidade de Trump e Bolsonaro. Recentemente, 4 mil pessoas morreram num único dia nos Estados Unidos por conta da pandemia do novo coronavírus. 

É mais gente que no atentado ao WTC. E, durante meses, a principal mensagem de Trump era desprezar e minimizar a pandemia. Incitar pessoas a tomarem decisões que levariam claramente ao aumento do número de mortes. 

Apenas a repetição continuada desse tipo de declaração já seria suficiente para o banimento das contas de Trump, de Bolsonaro e de qualquer pessoa que defendesse REPETIDAMENTE, atenção para esse termo, algo que provocasse mais mortes. 

No Brasil, mais de 200 mil pessoas morreram devido à pandemia e esse número poderia ter sido bem menor, não fosse uma pessoa como o presidente da República estar menosprezando a doença e incitando as pessoas a tomarem decisões que iam de encontro a todas as recomendações da ciência. O Twitter de Bolsonaro matou muita gente. 

O que Trump fez semana passada, via suas redes sociais, após tudo o que ele já havia feito ao longo de seu mandato e da pandemia, foi estimular um motim. Foi liderar um grupo de fanáticos a invadirem o Capitólio e não aceitarem de maneira violenta o resultado das urnas, a democracia de seu país, da mesma forma que seu país já fez com várias democracias ao redor do mundo. 

E a incitação de Trump, além de ser um crime contra a democracia, provocou quatro mortes.

A “liberdade de expressão” de Donald Trump não expõe simplesmente a maluquice de seu pensamento, a escrotice de suas ideias. A “liberdade de expressão” de Trump incita o terror e provoca mortes. REPETIDAMENTE.

Como democrata, sou um ferrenho defensor da liberdade de expressão Como jornalista, da liberdade de imprensa. E acredito que foi corretíssima a decisão dos chefões das redes sociais de bloquearem as contas de Donald Trump – ainda que no tempo equivocado, pois os atentados à vida que ele comete se repetem há bastante tempo. Aliás, já deviam ter feito o mesmo com as contas de Bolsonaro.

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