A importância da leitura literária

Um país de iletrados: a média otimista é de cinco livros por ano para cada brasileiro, quando na realidade esse número tende a não ser maior que dois livros. Como vamos discutir política, cultura, economia e o futuro de um eterno país do futuro?

A importância da leitura literária

Sem leitura não existe desenvolvimento. Foto: Paulo Rebêlo / Paradox Zero

Fábio Silveira

Segundo uma pesquisa feita recentemente, a leitura do brasileiro se resume a 5 livros por ano; mas se for contar livros lidos do início ao fim, essa média cai para 2 livros por ano.

Mas veja, essa é uma média feita em uma pesquisa com um número restrito de pessoas, se você colocar esses dados na realidade, pergunte as pessoas a sua volta quantos livros elas leem por ano, muitas não leem sequer 1 livro por ano. Isso é surpreendente e esses dados podem refletir nas dificuldades que temos no dia a dia nas áreas como educação, política, economia e cultura.

Olha, é um pouco cansativo falar que o país tem essa cultura, é como se a gente estivesse jogando a culpa em um terceiro, mas eu acredito que o baixo índice de leitura de livros no país se deve mesmo a preguiça das pessoas. Podemos criar várias desculpas, como por exemplo, eu tenho filhos, eu não tenho tempo, a minha concentração é ruim e blá blá blá. Mas se pararmos para pensar, somos uns dos países que menos lê e nossos estudantes estão com um índice de avaliação escolar dentre os piores do mundo. Então acredito que há algo errado.

A culpa não pode ser apenas dos governantes do país, visto que não estamos fazendo nossa parte quando o assunto é educação. E educação vem do conhecimento, da leitura e do aprendizado. Como aprender em um país onde pelo menos 50% da população são analfabetos funcionais?

Analfabeto funcional é a pessoa que estuda, que lê um texto, mas não é capaz de interpretá-lo. Isso é gravíssimo. Imagina você ler e não entender o que está lendo? É desesperador.

Tem outro ponto: a gente deixa de ler e de adquirir conhecimento, pois o tempo que teríamos para a leitura literária, por alguma razão que eu desconheço, a gente acaba gastando em alguma coisa banal, digo banal porque não acrescenta nenhum conhecimento intelectual na maioria das vezes. Por exemplo, ir sempre ao shopping, beber em bares todo final de semana, viajar para um destino sem ter algum sentido definido, conversar coisas aleatórias com os amigos. Então, a gente vai somando essas horas improdutivas, e no final dá uma carga horária gigantesca, e fazemos um balanço de que não aprendemos nada e o tempo só passou.

Há uma questão interessante também, que nós brasileiros lemos razoavelmente bastante, porém, ou lemos coisas desinteressantes em jornais e revistas, ou ficamos muito tempo em redes sociais. É um belo fator estimulante para o desinteresse por livros. A situação é a seguinte: lemos bastante, mas não tópicos suficientemente relevantes para melhorar nossa educação básica, falo básica porque temos que começar por aí, ao passo que não construímos nada de bom na área educacional. O ensino está perrengue há muito tempo, a metodologia retrógrada, a tecnologia então nem se fala, passa longe, e os investimentos para projetos culturais ou escolares decaindo a cada dia.

Para se ter uma ideia, os franceses são um dos povos que mais leem no mundo, em média 21 livros inteiros por ano, é uma diferença brutal comparada com a média do Brasil, daí se vê a diferença exorbitante entre as duas culturas. Tudo bem, que a história deles é mais antiga que a nossa, no quesito que somos um país jovem, mas está na hora de ter eles como exemplo. Um país desenvolvido começa por uma cultura desenvolvida, e com base na educação, principalmente a literária.

Chega de dar desculpas, ou colocar a culpa em terceiros, quando a situação está apenas em nossas mãos. Hoje em dia, se não dá para comprar livros, há várias bibliotecas ou mesmo sebos que ofertam livros gratuitos. Comprar livro no Brasil é caro? É, mas também não é uma coisa impossível, se deixar de sair um dia do final de semana, por exemplo, já daria para comprar no mínimo dois livros. Isso é fato.

Mas tudo bem, aqui no Brasil quando se fala de cultura e educação, tudo é motivo para se desviar o assunto ou levá-lo para o ridículo. Ou seja, se a pessoa gosta de estudar ela é à toa ou quer aparecer, senão outros dizem, estudar para que, se o importante é o dinheiro. São comentários desse tipo que empobrecem nossa cultura literária.

A primeira dica que eu dou é a seguinte: não ficar preso só na educação de instituições de ensino, é preciso abrir o leque de conhecimento. Como se faz isso? No princípio, através de leitura dos grandes clássicos, e por eles a bibliografia geral se abre de forma quase automática. Mas a força de vontade para ler só dependerá da gente. 

Outra coisa, após ler os primeiros clássicos, é hora de começar a ter uma leitura crítica, analítica e sintópica, ou seja, observar os pontos que concordamos, o entendimento pleno, e os que estão ou não alinhados com a realidade que vivemos.

E para mantermos uma energia boa para dar sequência a tudo isso, talvez até a questão da nossa alimentação pode estar em jogo. Dependendo do que a gente come e bebe, pode afetar os níveis de energia para a gente ter uma concentração elevada.

Agora para resumir só existe uma coisa, ler é preciso, leia coisas fáceis e depois vá aprimorando sua leitura, nós mesmos vamos saber diferenciar aquilo que é bom, daquilo que não é bom. Automaticamente, depois de algum treino, saberemos discernir os diferentes textos.

Uma sociedade sem o hábito da leitura fica menos crítica, e ficando menos crítica, a sociedade fica impossibilitada de progredir. Mas aqui não estou dizendo a respeito de uma crítica ranheta, aquela da reclamação de tudo, mas apenas da crítica pontual, que todo cidadão deve ter na consciência dos seus direitos e deveres, principalmente dos deveres. 

Ler é chato, claro, é muito chato. Mas para começar com o hábito de ler devemos nos importar em ler coisas do cotidiano que nos agradam. Assim, vamos pegando o jeito da leitura, sabendo diferenciar no começo, o que a gente gosta de ler e o que a gente não gosta. Depois vamos nos aprofundando em textos mais complexos, ok?

Há uma grande diferença nos diversos tipos de textos, sejam eles jornalísticos ou literários. Se não aprendemos a identificá-los, acabamos na ignorância de consumir as informações de qualquer jeito. Eu sei que ninguém gosta de ser ignorante, isso está claro para todos. Mas do jeito que anda a cultura no Brasil, a tendência é piorar a educação. 

A leitura, seja ela qual for, é o elemento fundamental para se melhorar a educação, mas preste atenção, que também não é qualquer leitura. Por isso a importância de discernir as características de um texto, para não cair em uma certa manipulação cultural ou midiática. 

As pessoas têm a estranha mania de ler uma manchete do jornal, da revista ou da mídia no geral, e já achar que está informada ou que já elevou seu nível cultural ao máximo. O mesmo acontece com vários estudantes que se formam em qualquer Universidade ou fazem algum curso profissionalizante e já se acham dono de uma casta intelectual destacada. É muito pouco, são necessários anos de estudo, tanto teórico, quanto prático, para entender os fenômenos que assombram nossa sociedade, pois, para não cair em determinadas ideologias mesquinhas, devemos estar bastante preparados intelectualmente, fugir da ignorância superficial.

Não pretendo ser um falso moralista, a minha intenção é fazer a minha parte e dizer que principalmente com a leitura literária é possível mudar o horizonte de nossas vidas. Pois, se mudou minha vida, no âmbito de enxergar a sociedade com mais propriedade e sabedoria, eu acredito também que a leitura pode mudar a vida de outras pessoas para melhor.

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